Sobre

As pessoas, os ensinamentos e os lugares que me formaram

Me vi desde cedo movido por um grande interesse em entender profundamente as coisas. Esta é a história de para onde essa curiosidade me levou — da física ao budismo, da yoga ao ensino.

Lucas Ghisleni
Infância

Um jardim de todas as cores

Quando eu tinha seis anos perguntei para a minha mãe: “Mãe, por que existem pessoas brancas e pretas?” E ela respondeu: “Porque a humanidade, meu filho, é como um jardim: tem flores de todas as cores.” Sou muito afortunado pelos pais que tenho e pelo amor deles, que me deram condições materiais e emocionais saudáveis para o meu desenvolvimento.

Lucas abraçado com a mãe
Com a minha mãe — Dia das Mães de 2017.
15 anos

A porta da filosofia e o primeiro contato com o budismo

Li O Mundo de Sofia, do Jostein Gaarder, que abriu as portas da filosofia para mim. Meu professor de literatura da escola me emprestou o livro Zen, do Alan Watts — meu primeiro contato com o budismo. Nessa ocasião fiz um “retiro espontâneo” em casa: levei um colchão para um cômodo vazio e me fechei lá de sexta a domingo, lendo aquele livro.

2011

Física na UFRGS

Minha dúvida sobre a faculdade era entre filosofia e física. Aprovei na UFRGS para filosofia no segundo ano do ensino médio, mas em 2011 entrei no bacharelado em Física, entusiasmado por ter sido, no ano anterior, um dos seis gaúchos a chegar na fase final da Olimpíada Brasileira de Física, aos 17 anos.

2013

A alegria de ensinar

Num certo dia, indo pegar um café no intervalo de uma aula de mecânica quântica, no memorável Bar do Antônio, no campus do Vale da UFRGS, topei com meu querido professor de matemática da escola, João Molon. Conversamos sobre a minha graduação e sobre a pós dele, e ele me convidou para dar aulas de física no seu cursinho, o Paralelo POA. Foi dando aulas lá por quatro anos que descobri minhas habilidades e, principalmente, minha alegria em ensinar.

2015

Aprofundamento no budismo e na yoga

No último ano da faculdade conheci um professor budista que havia sido professor de física na própria UFRGS. Eu já estava frustrado pelo curso não ter o nível de reflexão filosófica que eu esperava, e pela própria física ter um escopo que não inclui a consciência humana. O Lama Padma Samten foi muito importante por me apresentar os ensinamentos e a prática budista.

Depois de ouvir longamente seus ensinamentos, começou a fazer muito sentido sentar para treinar a mente — mas meus primeiros experimentos revelaram minha limitação física: não conseguia ficar dez minutos de pernas cruzadas sem dor. Isso me levou à yoga: fiz o curso para principiantes do centro Sivananda em Porto Alegre e segui praticando por dois anos, fazendo retiros no CEBB, em Viamão.

2016

Pós: Transformação de Conflitos e Estudos de Paz

Concluída a graduação, busquei como estudar o tema da ciência contemplativa — termo que conheci por outro dos meus professores budistas, Alan Wallace. Imaginei que essa área integraria meu interesse pela ciência e pelas práticas contemplativas. Essa busca me levou à pós-graduação em Transformação de Conflitos e Estudos de Paz, do instituto Paz&Mente — a primeira da América Latina, em parceria com a Cátedra de Estudos para a Paz da UNESCO, em Innsbruck, Áustria. Um fim de semana por mês em Florianópolis, durante um ano e meio. Foi realmente transformadora e abriu um universo de possibilidades.

2017–18

Formação em yoga e o nascimento do Espaço Maitri

Reconhecendo minha vocação por ensinar, tive o insight de ensinar yoga como a atividade que melhor conciliaria três coisas: avançar nesse caminho, beneficiar os outros e sustentar minha vida. Depois das formações em Hatha Yoga com Marco Schultz (2017) e do TTC do Sivananda Yoga (janeiro de 2018), abri minha escola de yoga e meditação, o Espaço Maitri1, em abril de 2018, em Canoas.

2018

CEB — cinco semanas na Suíça

Como outro desdobramento da pós, segui os estudos pela área de ciência das emoções e fiz o CEBTT, o treinamento para professores do programa Cultivating Emotional Balance. Uma imersão de cinco semanas em Niederwangen, Suíça: duas semanas com Eve Ekman2 na parte psicológica e três com Alan Wallace3 na parte contemplativa — um dos maiores professores de meditação do Ocidente.

Lucas conduzindo uma prática de yoga ao ar livre
2019

O Caminho de Santiago

Peregrinei a Santiago de Compostela com meu pai Plínio, meu tio José e meu primo Augusto. Num dos dias caminhei sozinho 53 km entre Hontanas e Carrión de los Condes — uma experiência sobre a qual escrevi aqui.

Lucas abraçado com o pai no Caminho de Santiago
Com meu pai no Caminho, junho de 2019.
2021

Yin Yoga

Fiz minha terceira formação de yoga no método que, dentre os que conheci, mais aproxima a yoga da meditação. Me tornei professor de Yin Yoga com Marina Boni, aluna direta de Paul Grilley, o fundador do método.

2022

Espaço Maitri em Gramado

Conectando meus sonhos e visões com os da minha esposa Blenda, abrimos o Espaço Maitri em Gramado, na forma de um centro de retiros. Ofereci cursos parciais e completos do CEB e organizamos retiros com diversos professores convidados.

2025

A Ghisleni Academy

Jogo tennis desde os cinco anos, disputando torneios desde os doze. Em 2024 experimentei o pickleball e, no ano seguinte, me tornei nº 1 do ranking gaúcho.

Em março de 2025 abri a Ghisleni Academy, minha escola de tennis e pickleball em Gramado. Depois de sete anos ensinando yoga e meditação, ao chegar na quadra para ensinar levei tudo isso comigo — a Academy nasce desse encontro: técnica e tática de verdade, com um olhar atento ao mundo mental e emocional de cada jogador. O esporte como caminho de autoconhecimento.

Lucas Ghisleni sacando no tennis
Sacando no Grand Slam Tibetano, agosto de 2026.
Hoje

Tudo junto, na quadra

Integro nas aulas em quadra tudo o que reuni nessa trajetória — a física, o budismo, a ciência das emoções, a yoga. E alimento a área de Conhecimento do site da Academy com textos sobre a física do tennis e sobre o lado mental e emocional do jogo.

Notas

  1. Maitrī (em sânscrito; mettā, em páli) significa bondade, ou bondade amorosa: o desejo sincero de que os outros sejam felizes e encontrem as causas da felicidade. É a primeira das quatro qualidades incomensuráveis do budismo, ao lado da compaixão (karuṇā), da alegria empática (muditā) e da equanimidade (upekṣā), chamadas de "incomensuráveis" porque podem ser cultivadas sem limite e dirigidas a todos os seres. O nome do espaço veio daí. Ver B. Alan Wallace, The Four Immeasurables: Practices to Open the Heart (1999). ↩
  2. Eve Ekman, PhD e MSW pela Universidade da Califórnia em Berkeley, é cientista social contemplativa e pesquisadora de emoções. Trabalhou por anos como assistente social em saúde e no sistema de justiça, e seu doutorado estudou como prevenir e compreender o esgotamento (burnout) de quem cuida de outras pessoas. Fez pós-doutorado no Osher Center for Integrative Medicine, da UCSF, é pesquisadora sênior do Greater Good Science Center, em Berkeley, e é a principal instrutora do programa Cultivating Emotional Balance. É filha de Paul Ekman, um dos pioneiros no estudo científico das emoções, com quem criou o Atlas of Emotions, uma ferramenta visual encomendada pelo Dalai Lama. ↩
  3. B. Alan Wallace estudou budismo tibetano por catorze anos, na Índia, na Suíça e nos Estados Unidos; foi ordenado monge pelo Dalai Lama em 1975 e atuou como intérprete de vários mestres tibetanos, entre eles o próprio Dalai Lama; desde 1987, é tradutor frequente dos encontros entre o Dalai Lama e cientistas (como os do Mind and Life Institute, de onde nasceu o CEB). Depois devolveu os votos monásticos e voltou à universidade: formou-se em física, filosofia da ciência e sânscrito no Amherst College (1987) e doutorou-se em estudos religiosos em Stanford (1995). Escreveu ou traduziu mais de quarenta livros e fundou o Santa Barbara Institute for Consciousness Studies. Ele me inspira por ter mergulhado a fundo nos dois caminhos que também busco: o contemplativo, como praticante monástico, e o acadêmico, com uma formação que começa na física. Sendo eu físico de formação, é difícil não me reconhecer nessa ponte entre a ciência e a contemplação. ↩

Em resumo

Físico de formação, com pós em Transformação de Conflitos e Estudos de Paz. Professor certificado do CEB (formação na Suíça, 2018). Fundador do Espaço Maitri (2018) e da Ghisleni Academy (2025). Atleta e professor de tennis e pickleball.

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