Me vi desde cedo movido por um grande interesse em entender profundamente as coisas. Esta é a história de para onde essa curiosidade me levou — da física ao budismo, da yoga ao ensino.
Quando eu tinha seis anos perguntei para a minha mãe: “Mãe, por que existem pessoas brancas e pretas?” E ela respondeu: “Porque a humanidade, meu filho, é como um jardim: tem flores de todas as cores.” Sou muito afortunado pelos pais que tenho e pelo amor deles, que me deram condições materiais e emocionais saudáveis para o meu desenvolvimento.
Li O Mundo de Sofia, do Jostein Gaarder, que abriu as portas da filosofia para mim. Meu professor de literatura da escola me emprestou o livro Zen, do Alan Watts — meu primeiro contato com o budismo. Nessa ocasião fiz um “retiro espontâneo” em casa: levei um colchão para um cômodo vazio e me fechei lá de sexta a domingo, lendo aquele livro.
Minha dúvida sobre a faculdade era entre filosofia e física. Aprovei na UFRGS para filosofia no segundo ano do ensino médio, mas em 2011 entrei no bacharelado em Física, entusiasmado por ter sido, no ano anterior, um dos seis gaúchos a chegar na fase final da Olimpíada Brasileira de Física, aos 17 anos.
Num certo dia, indo pegar um café no intervalo de uma aula de mecânica quântica, no memorável Bar do Antônio, no campus do Vale da UFRGS, topei com meu querido professor de matemática da escola, João Molon. Conversamos sobre a minha graduação e sobre a pós dele, e ele me convidou para dar aulas de física no seu cursinho, o Paralelo POA. Foi dando aulas lá por quatro anos que descobri minhas habilidades e, principalmente, minha alegria em ensinar.
No último ano da faculdade conheci um professor budista que havia sido professor de física na própria UFRGS. Eu já estava frustrado pelo curso não ter o nível de reflexão filosófica que eu esperava, e pela própria física ter um escopo que não inclui a consciência humana. O Lama Padma Samten foi muito importante por me apresentar os ensinamentos e a prática budista.
Depois de ouvir longamente seus ensinamentos, começou a fazer muito sentido sentar para treinar a mente — mas meus primeiros experimentos revelaram minha limitação física: não conseguia ficar dez minutos de pernas cruzadas sem dor. Isso me levou à yoga: fiz o curso para principiantes do centro Sivananda em Porto Alegre e segui praticando por dois anos, fazendo retiros no CEBB, em Viamão.
Concluída a graduação, busquei como estudar o tema da ciência contemplativa — expressão do professor budista Alan Wallace — que eu imaginava integrar meu interesse pela ciência e pelas práticas contemplativas. Essa busca me levou à pós-graduação em Transformação de Conflitos e Estudos de Paz, do instituto Paz&Mente: um fim de semana por mês em Florianópolis, durante um ano e meio. Foi realmente transformadora e abriu um universo de possibilidades.
Reconhecendo minha vocação por ensinar, tive o insight de ensinar yoga como a atividade que melhor conciliaria avançar nesse caminho, beneficiar os outros e sustentar minha vida. Depois das formações em Hatha Yoga com Marco Schultz (2017) e do TTC do Sivananda Yoga (janeiro de 2018), abri minha escola de yoga e meditação, o Espaço Maitri, em abril de 2018, em Canoas.
Como outro desdobramento da pós, segui os estudos pela área de ciência das emoções e fiz o CEBTT, o treinamento para professores do programa Cultivating Emotional Balance. Uma imersão de cinco semanas em Niederwagen, Suíça: duas semanas com Eve Ekman na parte psicológica e três com Alan Wallace na parte contemplativa — um dos maiores professores de meditação do Ocidente.
Peregrinei a Santiago de Compostela com meu pai Plínio, meu tio José e meu primo Augusto. Num dos dias caminhei sozinho 53 km entre Hontanas e Carrión de los Condes — uma experiência sobre a qual escrevi aqui.
Fiz minha terceira formação de yoga no método que, dentre os que conheci, mais aproxima a yoga da meditação. Me tornei professor de Yin Yoga com Marina Boni, aluna direta de Paul Grilley, o fundador do método.
Conectando meus sonhos e visões com os da minha esposa Blenda, abrimos o Espaço Maitri em Gramado, na forma de um centro de retiros. Ofereci cursos parciais e completos do CEB e organizamos retiros com diversos professores convidados.
Jogo tennis desde os cinco anos, disputando torneios desde os doze. Em 2024 experimentei o pickleball e, no ano seguinte, me tornei nº 1 do ranking gaúcho.
Em março de 2025 abri a Ghisleni Academy, minha escola de tennis e pickleball em Gramado. Depois de sete anos ensinando yoga e meditação, ao chegar na quadra para ensinar levei tudo isso comigo — a Academy nasce desse encontro: técnica e tática de verdade, com um olhar atento ao mundo mental e emocional de cada jogador. O esporte como caminho de autoconhecimento.
Integro nas aulas em quadra tudo o que reuni nessa trajetória — a física, o budismo, a ciência das emoções, a yoga. E alimento a área de Conhecimento do site da Academy com textos sobre a física do tennis e sobre o lado mental e emocional do jogo.
Físico de formação, com pós em Transformação de Conflitos e Estudos de Paz. Professor certificado do CEB (formação na Suíça, 2018). Fundador do Espaço Maitri. Praticante budista desde 2015, sob orientação do Lama Padma Samten. Atleta e treinador de raquete.